O bombom Cherry da Kopenhagen, é para mim o verdadeiro “Theobroma” – “alimento dos deuses”. É o máximo dos máximos em todos os quesitos quanto à sensação sensorial gustativa, tanto do ponto psicofísico, químico-sensorial, como também das minhas memórias afetivas.
MEU PRIMEIRO CONTATO
Lembro-me que, antes de eu entrar na faculdade, minha mãe teve dinheiro para virar cliente Kopenhagen. Foi a uma loja e me presenteou com o bombom mais caro que eles tinham – o bombom Cherry Brandy! Foi quando degustei essa maravilha pela primeira vez. Mordi avidamente e me lambuzei toda quando ao mordê-lo, o licor escorreu do recheio! Mas não me importei – a mistura de sabores e texturas do chocolate, do licor e da cereja – era indescritivelmente deliciosa. De quebra, veio a sensação ímpar de ter de separar o carocinho da cereja, o que fez a sensação ser ainda melhor. Nesse momento uma imagem de desenho animado me veio à mente: uma martelada naquelas máquinas de teste de força fez a campainha (no caso = prazer) estourar e apitar ruidosamente!!!
Ah!!! Nessa época o bombom trazia a tirinha tradicional que avisava que tinha caroço – posteriormente tiraram o caroço, o que me frustrou um pouco, mas não o suficiente para eu deixar de amar o produto… e claro que entendo que foi para baixar o risco de não lerem a tirinha…
MEU SEGUNDO CONTATO
Era 1976. Eu estava em Marabá, estado do Pará, fazendo Projeto Rondon. Na metade dos 45 dias do projeto que era para capacitação para gestores e atendentes de farmácia eu fiz aniversário. Minha mãe conseguiu me mandar um presente junto com uma nova turma de estudantes. Adivinhem o que era? Era uma caixinha redonda, das pequenas, do “Meu querido Bombom Cherry Brandy da Kopenhagen”– não me lembro do número exato, mas era assim uma meia dúzia de bombons… não costumo ser mesquinha, mas definitivamente não dava para dividir com os demais colegas, que somavam mais de 25 pessoas. Então escondi a caixinha na minha mala …de vez em quando, depois do jantar, eu me escondia no banheiro… coloca um inteiro na boca e deixava derreter beeemm devagariiiinho, me deliciando a cada segundo e desejando que cada segundo fosse eterno…
MEUS RECEIOS
A Kopenhagen começou no Brasil em 1928 na cozinha do casal Anna e David Kopenhagen, cresceu e virou franquia, mas sem jamais ter perdido sua tradição, constância e excelência de qualidade. Foi vendida em 1996 para Celso Ricardo de Moraes – Grupo CRM. Em 2014 o CRM fez uma joint venture com a Lindt. Depois soube que a Advent comprara a Kopenhagen em 2020 e que o Goldman Sachs foi contratado estudar “alternativas estratégicas”….
Juro que temi pelo futuro do “meu querido Bombom Cherry”. Esse bombom é um produto totalmente artesanal e deve ter um baixo volume de vendas comparado aos demais produtos, já que é muito caro – calculei hoje e chega a custar cerca de 650,00/ kg, se em caixa. Meu receio era que financistas com gana de aumentar volume/ lucro/ vendas, levassem à eventual descaracterização do produto….já vi isso acontecer com muitos e muitos produtos…
MAS
Felizmente a Presidente Renata Moraes Vichi não deixou isso acontecer. Diz-se que ela conduz a empresa com enorme paixão, ingrediente esse absolutamente insubstituível e que certamente fez com que a empresa evoluísse sem perder sua essência.
O sucesso desse negócio chamou a atenção do Nestlé que, recentemente, em setembro de 2023, comprou a parte do Grupo CRM, com foco no segmento premium. Li hoje no Portal G1 que Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil, que a estratégia da aquisição requer que a gestão da Kopenhagen fique ainda sob a gestão da Renata.
Mediante a seriedade da Nestlé e a continuidade da gestão nas mãos da Renata fico confiante de que a tradição e a manutenção da qualidade do “meu” e do “nosso tesouro” – o Bombom Cherry Brandy da Kopenhagen – continuarão a falar mais alto, uma claro exemplo de respeito à famosa tríade do Marketing: Posicionamento, Público-Alvo e Preço.