Na primeira foto da esquerda para a direita, Doralice Goes posa em 2019 esbanjando saúde…uma bela mulher, que adora moda e tem o sonho de ser modelo profissional. Na segunda e terceira fotos, em 2022, Doralice aparece hospitalizada, vítima de botulismo alimentar.
Recentemente eu tive o enorme prazer de conhecer essa guerreira pessoalmente quando ambas palestramos no FestQuali Goiânia (quarta foto). Mas na verdade soube de seu caso antes desse encontro, quando a Mayara Athayde fez uma Live entrevistando-a ao vivo para a Série Casos de Sucesso do IFDrs- Instituto Food Design de Responsabilidade Social. Assistindo à sua entrevista, eu já ficara impressionadíssima com tudo que a Doralice relatou. E confesso que fiquei chocada de como eu, que trabalho há 44 anos na área da Segurança de Alimentos, pouco sabia a respeito de como é e traumatizante se recuperar de todas as consequências nefastas e devastadoras de ficar paralisado e entubado por meses a fio.
Relatando o seu drama para quem ainda não sabe:
“Os sintomas começaram a se manifestar dois dias depois de eu ter consumido um molho pesto artesanal, sem alteração nenhuma de cor, odor e sabor. Com formigamento nas mãos e a fala já com língua enrolada, eu me dirigi ao hospital, onde já cheguei praticamente sem conseguir andar. As suspeitas médicas recaiam sobre AVC, Síndrome Guillain Barré e até reação adversa à vacina contra Covid. Foi quando o neurologista Samir Souki, membro titular da @Academia Brasileira de Neurologia, foi chamado e diagnosticou meu caso como botulismo”.
Doralice ficou dez meses e dez dias na UTI, entubada, com tetraplegia. Só o coração e o cérebro permaneceram funcionantes. Ela conseguia se “comunicar” apenas com dois dedos do pé. Voltou a falar só depois de 9 meses, quando retirada a traqueostomia. Depois ainda permaneceu hospitalizada para recuperar-se até ter autonomia para se deslocar com um andador.
“Todos os exames afastavam outras causas. O que me chamou a atenção foi a paralisia flácida generalizada, pupilas midriáticas (muito dilatadas) e o fato de ela ter conseguido executar um comando, um mínimo movimento nos dedos dos pés”. Relato do Dr. Samir para o Portal UOL.
Conhecendo-a agora pessoalmente, pude sentir a força que a Doralice tem dentro de si. Ela me contou o quão difícil foi enfrentar toda essa batalha, o quanto teve e tem de se dedicar para sua recuperação e o quanto custa/ custou/ custará tudo isso em valores financeiros. E me contou que resolveu “fazer desse limão um bela limonada”, se impondo a missão de ajudar na conscientização – e melhor ainda, na SENSIBILIZAÇÃO – de como segurança de alimentos é fundamental na produção de alimentos.
Quero louvar a volta que a Doralice está dando por cima dessa fatalidade. Suas palestras são uma convincente FERRAMENTA DE SENSIBILIZAÇÃO, pois nada mais tocante que ouvir os relatos dessa sobrevivente!!! Para interessados aqui fica o contato dela no Instagram @Doralice.goes
CALL TO ACTION
a) Autoridades regulatórias e fiscalizatórias: sabendo-se que os casos de botulismo podem não ser corretamente diagnosticados pelo serviços médicos, visto poderem ser confundidos como outras doenças, faz-se mister alertar sobre a importância de:
– dar maior atenção aos produtos artesanais microbiologicamente sensíveis
– dar especial atenção às conservas caseiras
– fazer campanhas públicas sobre risco e prevenção de botulismo alimentar
– campanhas médicas sobre diagnose do botulismo.
b) Comunidade técnica da área de segurança de alimentos: não devemos só esperar ações do governo. Nossa comunidade deve mobilizar-se pró-ativamente para levar conhecimento técnico para os produtores artesanais. Esse, aliás, é parte do sonho que levou à fundação do IFDrs- Instituto Food Design de Responsabilidade Social, entidade sem fins lucrativos da qual sou Presidente, pelo qual ficamos à disposição para receber mais voluntários e mantenedores que queiram se juntar à nossa missão.
Fontes
– https://foodsafetybrazil.org/eu-tambem-errei-como-consumidora-entrevista-com-doralice-goes/