A Anvisa determinou o recolhimento dos lotes L1 1348 e L2 1348 da cerveja Belorizontina, conforme post já publicado. Há suspeita de relação entre consumo desses lotes e os casos de insuficiência renal e alterações neurológicas registradas no estado de Minas Gerais. Suspeita: contaminação com dietilenoglicol. Concentração ainda não sabemos, nem se contaminação foi acidental ou proposital. Investigação por autoridades competentes está em andamento.
Muitas dúvidas têm surgido sobre o caso, inclusive sobre a toxicidade do dietilenoglicol, conhecido pela sigla DEG, que escrutinamos abaixo.
QUAIS SÃO OS PERIGOS?
Perigo para ingestão oral: pode causar forte dor abdominal, interrupção da micção, náuseas, vômitos, cegueira, neuropatia, encefalopatia, convulsões, coma e insuficiência renal. A insuficiência pode evoluir para falência renal e morte. Parece ser que não é o DEG e sim um metabólito seu, que cristaliza nos rins, levando o órgão à falência.
MAS QUAL O GRAU DE TOXICIDADE PARA HUMANOS?
A verdadeira dose mínima de DEG associada à toxicidade e letalidade não é conhecida – Fonte: NCBI National Center for Biotechnology Information, USA.
Dados da literatura científica apontam que os humanos são mais suscetíveis ao DEG que os ratos: a dose tóxica em seres humanos foi estimada em cerca de 0,2 g/ kg. A dose letal foi estimada em 1,0 a 1,5 g / kg. Note: a DL50 oral para ratos é de 16 a 30 g/kg (variando conforme a fonte).
TOXICIDADE AGUDA E TOXICIDADE CRÔNICA
Depende da dose e frequência de exposição.
– Para via oral, exposição aguda (dose única ou múltipla em até 24 horas): as doses para toxicidade aguda e letalidade para humanos não são bem conhecidas. Mas há relatos que dão conta de que doses como 0,5 a 1,0 g/ kg já poderiam causar insuficiência renal aguda, e até morte.
– E o risco para via oral para exposição crônica*?
São desconhecidos os efeitos de exposição crônica.
*Toxicidade crônica: doses cumulativas, exposição de 3 meses a 2 anos, ou por quase toda a vida do animal. (Que horror!!! Testes com animais?!?! Sim, pois embora haja muita evolução em técnicas toxicológicas que evitam uso de animais, há alguns testes essenciais, para os quais isso ainda não foi conseguido.)
RISCOS?
Devido à alta toxicidade do dietilenoglicol, o risco deve ser considerado significativo. Mesmo que a probabilidade de ocorrência de contato indireto com o alimento ou bebida seja muito baixa, minimizada pelo uso de práticas adequadas de projeto e de manutenção adequados para evitar vazamentos, os danos à saúde do consumidor são inaceitáveis.
ALERTA
Cuidado para não confundir dietilenoglicol (DEG) com etilenoglicol: são duas substâncias distintas, ambas muito tóxicas para humanos.
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QUER SABER MAIS? Confira os posts já publicados sobre o caso, e se quiser saber como usar fluidos refrigerantes refrigerantes, consulte masi abaixo nesta página:
– 5 Regras de Ouro para uso de fluidos refrigerantes em trocadores de calor da Série Desenho Sanitário.
Autor: Dra. Ellen Lopes, Ph.D.
Ilustração: Banco de imagens autoria Food Design
Referências principais:
1) https://foodsafetytech.com/…/safety-food-processing-select…/
2) https://www.probrewer.com/…/everything-you-wanted-to-know-…/
3) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3614107/
4) https://ec.europa.eu/…/committe…/04_sccp/docs/sccp_o_139.pdf
5)https://www.researchgate.net/…/323511965_Unintentional_diet…
6) African Journal of Nephrology Official publication of the African Association of Nephrology Volume 21, No 1, 2018, 8-11.
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