📊 Conforme o Relatório Global 2024 da Food Authenticity Network recém-publicado*:
Os alimentos mais fraudados em 2024 variam dependendo da fonte:
A) Fonte: dados provenientes de relatórios oficiais – conforme a figura abaixo, as 10 principais commodities em número de fraudes foram: bebidas, alimentos processados e produtos lácteos.

B) Fonte: dados provenientes de agências regulatórias, mídia convencional e outras. Nesse caso, os principais grupos de alimentos em número de fraudes foram: frutos-do-mar, mel e laticínios são mais citados em mídias e publicações científicas.

▶️ Tipos de Fraudes – consolidado de 10 anos, de 2015 a 2024
Os tipos de fraude mais comuns ao longo de 10 anos correspondem aos mesmo tipos observados em 2024: as fraudes de origem botânica, as de origem animal, o uso de substâncias não alimentares e a diluição.

📊 Outras conclusões:
1) Os tipos de fraude mais comuns são as fraudes de origem botânica, seguidas das de origem animal, do uso de substâncias não alimentares e da diluição. Exemplos das fraudes de origem botânica conforme a FoodChain ID são: mistura de azeite de oliva extravirgem com outros azeites e/ou óleos, adição de “enchimentos” a especiarias moídas e rotulagem errônea das variedades de mel. Exemplos de fraudes de origem animal: espécies de carne não declaradas em produtos de carne moída ou processada, substituição de espécies em produtos de frutos-do-mar e deturpação da fonte de leite em produtos lácteos.
2) Das fraudes observadas, as que têm o potencial de causar mais danos à saúde são as de uso de substâncias não alimentares em alimentos, como o caso de fraude de uso do corante vermelho sudão em pimenta em pó. Esse caso ocorreu em março de 2024 em Taiwan e o rastreamento indicou lotes de pimenta importada da China Continental**. Os corantes vermelho sudão forma banidos para uso em alimentos por muitos países, por ser um carcinogênico de Categoria 3 segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer***.
3) Comparação dos dados dos relatórios de 2023 com 2024: não surgiu nenhuma nova tendência significativa de um ano para outro.
4) Relatórios oficiais de fraude alimentar permanece baixo: apenas ~ 8% dos relatórios de segurança alimentar publicados em 2024 são de fontes oficiais. Não houve novas fontes de dados de fraude alimentar relatadas por agências reguladoras em 2024. Para que a análise dos relatórios oficiais de fraude alimentar seja significativa, mais agências reguladoras devem publicar seus dados em um formato de acesso aberto.
▶️ Sobre o Relatório Global 2024 da Food Authenticity Network.
É um estudo cujo objetivo é fornecer uma visão geral das principais tendências e riscos relacionados a fraudes e integridade dos alimentos. Abrange dados de fraudes alimentares de todo o mundo, coletados por três das principais ferramentas comerciais de coleta de incidentes de fraude alimentar: FoodChain ID @HorizonScan e Safety HUD, tendo cada uma seus próprios métodos de coleta e de classificação de dados. Quanto à origem, os dados provêm de agências regulatórias, de publicações científicas da mídia convencional e publicações peer reviewed, além de outras fontes. Editor do relatório Selvarani Elahi MBE. Trabalho patrocinado por McCormick & Company, Dr Ehrenstorfer and LGC Axio, Tenet Compliance & Litigation, Food Industry Intelligence Network, the Institute of Food Science & Technology, SSAFE, Tesco e BRCGS (LGC Assure).
▶️ A Food Authenticity Network (FAN) – a Rede de Autenticidade Alimentar do Reino Unido é uma plataforma global de acesso aberto dedicada à autenticidade alimentar, prevenção de fraudes e integridade da cadeia de suprimentos. Sua criação foi uma resposta à necessidade de se garantir a integridade e garantia do abastecimento de alimentos e de se padronizar e adequar testes de verificação de autenticidade dos alimentos para que os consumidores possam ter confiança nos alimentos. Essa Rede foi criada em 2015 pela empresa LGC, sendo financiada por uma parceria público-privada com participação do Departamento Britânico de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais. A LGC é uma empresa de origem centenária: foi fundada em 1842 como instituição governamental na Inglaterra e privatizada em 1996 pelo então Reino Unido, sendo hoje uma subsidiária do Bridgepoint, empresa britânica de private equity.
Referências LINKs:
*https://www.foodauthenticity.global/blog/fan-2023-global-food-fraud-report
**https://www.taipeitimes.com/News/taiwan/archives/2024/03/21/2003815257
***https://monographs.iarc.who.int/agents-classified-by-the-iarc/